Pesadelo chinês

O Test behind the Great Firewall of China, confirmou mais uma vez que nosso blog ESTÁ BLOQUEADO NA CHINA. A máquina repressiva impede o acesso em Pequim (confira); em Shangai (confira); e agora em Guangzhou (confira). Hong Kong é a exceção (confira). Enquanto Pequim não cobrar medidas coercitivas dos seus correligionários brasileiros ou da Teologia da Libertação, este blog continuará na linha católica anti-comunista, pelo bem do Brasil. MAIS

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Feliz Natal e bom Ano Novo 2018!

Veja vídeo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Semi-deus tiraniza um povo com tédio do comunismo

Xi Jinping, o Big Brother se perpetua
Xi Jinping, o Big Brother se perpetua
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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É a um só tempo ridículo e aterrorizador para os chineses: a doutrinação ideológica marxista foi intensificada sob “Xi Dada” – que significa “Papai Xi” –, segundo a reportagem do jornal “Le Figaro” de Paris.

Há dois anos, os 12.000 jovens desejosos de ingressar na Universidade de Tecnologia de Pequim deviam saber desenhar de cor o rosto do ditador.

Xi até escreveu um livro: O governo da China.

Como não poderia deixar de ser, foi todo um sucesso editorial! Traduzido em oito idiomas, vendeu mais de 20 milhões de exemplares.

O mais provável é que tenha sido distribuído gratuitamente, e pode bem ter acabado como as intérminas edições soviéticas do Capital de Marx, cujo papel era usado pelos russos não só pobres, mas miseráveis, para fins muito prosaicos.

Elevado a semi-deus no Olimpo infernal maoísta.
Elevado a semi-deus no Olimpo infernal maoísta.
A doutrina política nele contida apresenta nebulosidades genéricas como se fossem genialidades: atingir “o sonho da China” e “rejuvenescer” essa milenar nação.

Nem todo o mundo “comprou” essas mensagens de propaganda, manifestamente inconsequentes.

Os visitantes da amostra consagrada ao novo semideus materialista desfilavam em silêncio.

Caras longas, ar entediado, todos marcavam ponto como devotos do novo culto.

Pediram dispensa do trabalho para cumprir uma “importante atividade laboral extra” e preencheram a ficha.

No Ocidente, a nossa mídia não falou do imenso gigante de pés de barro que se patenteou em Pequim.

Mostra sobre Xi Jinping durante o XIX Congresso: impossível votar por outrem
Mostra sobre Xi Jinping durante o XIX Congresso: impossível votar por outrem
Xi entrou no panteão comunista, seu nome foi inscrito no estatuto do Partido Comunista em paridade de situação com o patriarca do crime e fundador, noticiou a agência AFP.

Ninguém sabe explicar no que consiste o glorificado “pensamento Xi Jinping” que está na boca de todo o mundo.

Fala-se do “grande renascimento da nação”, sem mencionar que ele é o chefe do Partido que a afoga em oceanos de tormentos e humilhações.

Uma coisa é concreta: Xi quer um exército “de primeiro nível mundial” até 2050, para garantir a paz. Evidentemente que não é.

O Estado de direito “socialista” se assanhará mais contra quem quiser se destacar, e o penhor da “coexistência harmoniosa entre o homem e a natureza” garantirá a continuidade das intoxicações coletivas em aras de triunfo do socialismo planetário.

Xi Jinping reeleito com voto perfeito
Xi Jinping reeleito com voto perfeito
Houve mudanças entre seus súditos. A mídia ocidental faz alambicadas elucubrações de nomes, os quais soam perfeitamente desconhecidos aos nossos ouvidos.

A única coisa certa é que só serão nomeados homens muito da confiança de Xi para lhe assegurar “um controle total do Comitê Permanente”, estimou Willy Lam, politólogo da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Para Bill Bishop, autor da Lettre d'Information Sinocism China, as mudanças serão apenas cosméticas e sempre em favor de Xi.

Com seu nome no estatuto do Partido, se alguém falar de sucessão cometerá o crime supremo. O ditador tornou-se vitalício.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

China se exibe ao Ocidente como um punho de ferro ordenativo, mas nivelador e feroz!

Xi Jinping 'o próximo imperador(The Economist, outubro 2017).  Entre as nomenklaturas comunistas e o alto capitalismo há curiosas consonâncias
Xi Jinping 'o próximo imperador(The Economist, outubro 2017).
Entre as nomenklaturas comunistas e o alto capitalismo há curiosas consonâncias
Luis Dufaur
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Encerrou-se em Pequim a teatralização quinquenal máxima do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês. O telão do teatro já baixou.

Como de praxe, as políticas que regerão a China nos próximos anos e as verdadeiras decisões já haviam sido tomadas antes.

A peça, encenada por 2.300 figurantes ou “representantes do povo”, foi executada ao pé da letra. Um só erro poderia acarretar a execução do infeliz discordante do coro.

A mídia oficial e estrangeira encheu o Ocidente com especulações animadas por indiscrições e subtis vazamentos, habilmente passados pelo Partido Comunista.

E o mundo pode julgar-se informado do que aconteceu no cenário.

Mas não ficará por certo sabendo das elucubrações enigmáticas dos manipuladores dos figurinos que nele se movem.

Em qualquer caso, a peça foi encenada para passar palavras de ordem sobre o futuro andamento da China.

No XIX Congresso do PC chinês, Xi Jinping ingressou no Olimpo marxista dos semideuses.

Nos outdoors, estações de trem e paradas de ônibus, seu enigmático sorriso diz: “Agora Big Brother sou eu”.

Nas lojas de souvenirs, pratos decorativos com sua imagem tornaram-se coqueluche. O turista deverá achar que o ditador é muito amado pelo povo.

A cúpula do regime foi atualizada de acordo com o organograma aprovado. E o culto à personalidade de Xi ficou no patamar do de Mao Tsé-Tung, o “pai fundador da pátria” que implantou o comunismo e esmagou o país com punho de ferro durante 27 anos.

Discutem-se quantas dezenas de milhões – ou centenas de milhões – ele matou em aras da utopia igualitária. Mas hoje Xi é tão divino quanto ele.

Quanto durará essa divinização? Depende de seu próximo sucessor, que é bom não fazer-se conhecer, caso queira ter vida longa.

Agora o 'Big Brother' segue se chamando Xi Jin ping. Sobre tudo, a foice e o martelo seguem sendo os mesmos!!!
Agora o 'Big Brother' segue se chamando Xi Jin ping.
Sobre tudo, a foice e o martelo seguem sendo os mesmos!!!
Xi continuará sendo o ditador mas com poderes reforçados, como observou Francetv.info.

Nas dez salas do Centro de Exposições de Pequim – prédio de estilo soviético coroado por una estrela vermelha e profusamente decorado com a foice e o martelo – ficou claro que a própria essência do comunismo continuará intocável sob o poder semidivino de Xi.

Tudo foi atribuído a ele: os trens contrafacionados de alta velocidade; o porta-aviões Liaoning, recuperado do ferro velho; o progresso econômico visando à hegemonia marxista chinesa universal; a erradicação da pobreza.

Consagrou-se a seu culto uma exposição com dezenas de fotos e vídeos para provar que ele é bem o rebotalho mais reles e igualitário do proletariado. E por isso é “divino”.

A amostra inclui fotos dele jovem sendo “reeducado” em Shaanxi durante a “Revolução Cultural” (1966-76); abraçando anciãos e crianças no estilo de Stalin, e, por que não, de Adolf Hitler. O figurino do ditador está completo.

As longas filas no ingresso garantem que a assistência à mostra servirá de argumento para galgar posições no partido e na burocracia estatal.

Uma jovem guia do jornalista do “ABC” de Madri nem soube dizer o que Xi diz ou pensa, e escusou-se dizendo que não tinha ouvido seu discurso na abertura do Congresso do Partido Comunista.

Mas reconheceu que terá de pelo menos decorar algumas frases para não ficar suspeita diante de seus colegas.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Cardeal Zen Ze-kiun: “a Santa Sé está adotando uma estratégia errada”

Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong
Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: O Vaticano não pode deixar-se enganar pelos comunistas chineses


Catolicismo — A China está querendo aproximar-se do Vaticano para mostrar às nações ocidentais que ela é um país aberto?

Cardeal Zen — Durante essas negociações eles [os comunistas chineses] não estão demonstrando nenhuma cordialidade, não estão dando nenhum sinal de boa vontade.

Estão fazendo coisas incríveis. Portanto, não estão demonstrando abertura. Apenas mostram que querem controlar mais. Querem mostrar que são os chefes.

Por exemplo, aqueles bispos chineses ilegítimos, excomungados, os comunistas querem que o Vaticano os perdoe.

Mas eles estão fazendo coisas terríveis contra a disciplina da Igreja. São ilegítimos, são excomungados e ousam ordenar sacerdotes!

Isso aconteceu ainda muito recentemente. Incrível! Incrível!

Reúne-se a cada cinco anos uma organização chamada Assembleia dos Representantes dos Católicos Chineses, o seu mais alto corpo, a mais clara manifestação da natureza cismática daquela igreja.

Trezentos e tantos representantes — os bispos são apenas como todos os outros —, eles realizam eleições etc.

Agora, na última vez, seis ou sete anos atrás, nós dissemos à Comissão Pontifícia para a Igreja na China: “Não!”.

Dissemos aos bispos para não irem. No final eles foram [o cardeal demonstra profundo desagrado], porque o Prefeito da Congregação para a Evangelização afirmou: “Oh, os senhores estão sob pressão, nós entendemos...”. Ah, está bem.

Mas dessa vez o Vaticano diz: “Sabemos o que é isso, mas não fazemos julgamento agora. Nós observamos, nós refletimos, nós julgaremos”.

O que quer dizer isso? — Deixe-os fazer a reunião e depois você julga?

Mas aquilo é uma manobra cismática.

“Agora eles estão negociando, estão se tornando amigos, o senhor não vê isso?” Incrível!

Como se pode permitir a realização desse tipo de reunião? E então, examinando-se agora a reunião, eles mudaram? Não!

Estão exatamente como antes: “Nós queremos uma Igreja independente”. Portanto, não estão absolutamente demonstrando nenhuma boa vontade.

Nossa Senhora de Fátima é proibida na China porque sua devoção é explicitamente anticomunista
Nossa Senhora de Fátima é proibida na China
porque sua devoção é explicitamente anticomunista
Catolicismo — É verdade que os comunistas temem Nossa Senhora de Fátima na China?

Cardeal Zen — É muito curioso, porque eles costumam dizer: “Nossa Senhora, ok. Mas não Nossa Senhora de Fátima”. Por quê?

Porque Nossa Senhora de Fátima é anticomunista. Porque disse que o comunismo cairia na Rússia.

Então, se você tentar ir à China levando uma imagem de Nossa Senhora, talvez não haja problema, mas se levar Nossa Senhora de Fátima, não pode!

Isso é muito curioso, porque só há uma Nossa Senhora. Certa vez, no fim de uma reunião, contei isso ao Papa Bento e lhe disse: “Mas eles não conhecem Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, que é ainda mais terrível, porque Ela foi à guerra”.

A origem da invocação Auxílio dos Cristãos provém da Batalha de Lepanto [1571] e do Cerco de Viena [1683].

Portanto, a Guerreira [o cardeal esboça um comprazido sorriso] Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos! Então, penso que eles cometem muitos equívocos a respeito de Nossa Senhora.

Catolicismo — Os católicos chineses ainda são perseguidos, presos e mortos por causa de sua fé?

Cardeal Zen — Certamente houve mudanças em todos esses anos, caso se compare a situação atual com os anos do início do regime comunista.

Por exemplo, no começo dos anos 1950 — os comunistas tomaram o poder em 1949 —, especialmente em 1951, eles começaram, nas escolas dependentes da Igreja, a expulsar todos os missionários.

Muitos foram para a prisão e nunca voltaram. E depois, em 1955, ocorreu a grande perseguição.

Em uma noite eles prenderam o bispo de Xangai, o vigário-geral, o reitor do Seminário, muitos padres, muitas freiras e jovens da Legião de Maria. Enviaram-nos todos para a prisão e nunca voltaram...

E foi pior ainda em 1967, durante a “Revolução Cultural”. Até mesmo aqueles que obedeciam ao governo foram perseguidos pelos guardas vermelhos, presos, e nunca voltaram. Era muito duro. Inúmeras pessoas morreram na prisão.

Houve também anos muito difíceis, durante os quais inúmeras pessoas sofreram terrivelmente. E em dado momento, no final da “Revolução Cultural”, os comunistas começaram a política de abertura, até abriram os Seminários.

Em Hong-Kong ficamos surpresos, pois podíamos visitar os Seminários. Nessa ocasião eu pedi para ensinar naqueles Seminários. Tive que esperar quatro anos. Permitiram que eu fosse.

Isso se deu de 1990 a 1996. Pude ensinar durante sete anos, primeiro em Xangai e depois em diversos Seminários. Era algo muito novo. Incrível! E fui tratado muito gentilmente, porque estávamos em 1989.

Bispos desaparecidos
Lembra-se do que aconteceu então? — Praça Tiananmen [as manifestações estudantis contra o governo vermelho, reprimidas duramente].

Então, enquanto todo mundo partia para fora da China, eu fui para dentro da China. Isso significava que eu acreditava neles. Que eu sou amigo. Então, eles me trataram muito bem. Durante sete anos...

Eu costumava passar seis meses do ano em Hong-Kong, seis meses ensinando na China em todos aqueles Seminários da igreja oficial [do governo comunista].

Era muito triste ver como eles tratavam os nossos bispos. Sem nenhum respeito. Simplesmente assim [o cardeal faz um gesto de quem arrasta o outro pelo nariz]. Escravos!

Portanto, foi uma experiência terrível. Então, julgo que se as pessoas não tiverem essa experiência, elas não podem compreender.

Talvez tenha até havido outras mudanças nesses últimos anos, sem tantas pessoas na prisão. Mas alguns bispos continuam presos. Um deles morreu no ano passado.

E alguns padres que morreram misteriosamente. Diversos padres ainda estão na prisão, embora muito menos do que antes.

Porém, eles [os comunistas] continuam controlando. E, comparando, a situação é pior. Por quê?

Porque a Igreja foi debilitada. Estou muito triste em dizer que o governo chinês não mudou e que a Santa Sé está adotando uma estratégia errada.

Eles [as autoridades do Vaticano] são muito sequiosos em dialogar, dialogar. Então, dizem a todo mundo para não fazer barulho, para acomodar-se, fazer compromisso, obedecer ao governo.

Em consequência, as coisas estão indo ladeira abaixo.

Catolicismo — Os católicos na China estão se opondo ao diálogo com os comunistas?

Cardeal Zen — Alguns jornalistas vão à China e voltam dizendo: “Oh, vejam, eles agora podem falar à vontade!”.

Na China não existe liberdade de expressão. As pessoas não podem falar. Alguns [sacerdotes] podem vir agora a Hong-Kong falar comigo, podem conversar com o arcebispo Savio Hon na Congregação para a Evangelização, mas não podem falar publicamente. Então, como esperar que falem?

Se o fizerem, serão imediatamente presos. Até os advogados dos direitos humanos são presos pelo regime comunista por defenderem os pobres e os oprimidos.

Muitas pessoas são obrigadas a comparecer diante da televisão e dizer: “Desculpem-me, estou errado, o governo está certo”. Elas são humilhadas!

Portanto, não existe liberdade e estão temerosas. Às vezes o próprio Vaticano não ousa pressionar muito porque, de fato, quer que todos façam compromisso.

Catolicismo — A situação do laicato mudará após a assinatura do acordo do Vaticano com a China?

Cardeal Zen — As relações entre os leigos e o clero ocorrem sempre de duas maneiras: muitas vezes é o clero que dirige o povo, algumas vezes é o povo que dirige o clero.

Por exemplo, na igreja oficial [do governo] há também bons bispos. Eles não podem fazer nada em nível nacional da Conferência Episcopal.

Mas em suas dioceses podem fazer algumas coisas. Podem manter bem as suas dioceses e os fiéis estão contentes em segui-los.

Apelo em Hong Kong pelo bispo Cosme Shi Enxiang, provavelmente morto num cárcere comunista chinês
Apelo em Hong Kong pelo bispo Cosme Shi Enxiang,
provavelmente morto num cárcere comunista chinês
Há bispos que não são bons e os católicos mais velhos não estão contentes. Mas os católicos mais jovens nada sabem sobre essa questão.

Eles não entendem o que é “oficial” [igreja do Estado comunista], “subterrânea” [Igreja fiel a Roma]. Simplesmente gostam de ir à igreja, onde se pode rezar e cantar. Não são muito argutos a respeito dessas distinções.

Antigamente, na clandestinidade, os padres eram severos. Por exemplo, diziam: “Você não pode ir à igreja oficial. É pecado mortal”.

E os fiéis mais velhos acreditavam nisso. Mas agora o Papa diz: “Não, você pode ir, porque o fiel tem o direito de receber sacramentos válidos”.

Então os fiéis podem dizer: “Nas catacumbas não é seguro. É perigoso. Algumas vezes eu vou à igreja oficial, depois volto”.

Na igreja oficial, às vezes os fiéis agem melhor que os padres e os padres às vezes agem melhor que os bispos. Porque os bispos sofrem mais pressão, os padres sofrem mais pressão que os leigos.

Então os leigos podem torná-los mais fiéis à Igreja. E agora, às vezes, por causa dessa interpretação errada da carta do Papa, pode haver padres e bispos da clandestinidade que gostariam de se tornar da igreja oficial.

E então, há muitos casos em que os católicos não gostam disso e dizem: “Está errado”. Portanto, a situação é muito complicada. A situação geral é pior do que antes. Agora há mais confusão, mais divisão.

Catolicismo — Existe para os católicos chineses a esperança de viver a antiga liberdade da Igreja?

Cardeal Zen — Em seu país [Polônia], goza-se de liberdade.

Naquele tempo de domínio do comunismo as pessoas não podiam acreditar — ninguém podia esperar — na queda repentina do comunismo, de certo modo pacificamente.

Portanto, quando as pessoas me perguntam: “O que o senhor espera, quando gozarão de liberdade?”.

Eu digo: “Pode ser que talvez devamos esperar 50 anos, ou talvez cinco semanas. Por que não?”.

Estamos nas mãos de Deus. É importante rezar. Rezar pela conversão.

Nesta minha visita aqui, notei uma coisa maravilhosa: que os senhores podem generosamente esquecer o passado. Então, quando o regime caiu, não houve vingança da parte do povo.

Penso que este é o espírito cristão. Estou muito temeroso de que na China — onde os cristãos constituem uma pequena minoria — os comunistas poderão ser perseguidos quando o comunismo cair.

Porque há muitíssimas injustiças e o povo, que não é cristão, poderá se vingar. Portanto, é muito perigoso.

A única coisa seria rezar para que os comunistas sejam convertidos em seus corações. Então, poderá haver uma passagem pacífica.

Eles não gostam de falar de revolução pacífica, mas nós esperamos.


(Fonte: “Catolicismo” n° 802, outubro de 2017)


terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Vaticano não pode deixar-se enganar pelos comunistas chineses

Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong
Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong
Luis Dufaur
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“Estou muito triste em dizer que o governo chinês não mudou e que a Santa Sé está adotando uma estratégia errada”


O Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Arcebispo emérito de Hong-Kong, julga que se o Papa Francisco conhecesse a realidade do regime comunista chinês, bem como as perseguições que ele move contra os católicos, não promoveria negociações com Pequim.

O Cardeal Zen foi entrevistado por Krystian Kratiuk, de “Polonia Christiana”, prestigiosa revista católica de Cracóvia, que autorizou Catolicismo a reproduzir a entrevista, oferecendo gentilmente para isso sua gravação em inglês. A tradução para o vernáculo esteve a cargo de nosso colaborador Hélio Dias Viana.

* * *

Catolicismo — Por que o Vaticano quer assinar um acordo com o governo comunista da China?

Cardeal Zen — Obviamente o Santo Padre pode não ter muita experiência direta com os comunistas chineses, porque na América do Sul os comunistas são perseguidos.

Então ele pode ter uma simpatia natural pelos comunistas, pode não saber que eles são verdadeiramente comunistas.

Mas muitas pessoas na Santa Sé devem saber, mas talvez não tenham aquela experiência pessoal, direta.

Por isso estou realmente receoso de que elas possam ser doutrinadas pelos comunistas.

Também porque os comunistas chineses são inteligentes, são mestres no emprego de meias palavras. Então, estou muito preocupado neste momento.

Catolicismo — O que é realmente o comunismo?

Cardeal Zen — O comunismo é totalitarismo. É, portanto, um regime totalitário.

E somente aquelas pessoas que têm realmente experiência pessoal podem sentir o que é um regime totalitário, como o nazista, como o comunista.

O Papa João Paulo II conheceu. O Papa Bento também.

Mas temo que os italianos possam não conhecer muito bem, porque Mussolini não foi um totalitário muito duro.

Entretanto, os governantes totalitários querem tudo. Querem controlar tudo. Não aceitam compromisso.

Eles desejam fazer você capitular. Querem torná-lo escravo. É terrível!

Portanto, essas pessoas no Vaticano podem não ter tal percepção. Elas vão então negociar e, obviamente, nas negociações todo mundo é muito amável, com palavras amáveis. Mas esta não é a realidade.

Hu Shigen, líder leigo da Igreja fiel a Roma condenado como subversivo
Hu Shigen, líder leigo da Igreja fiel a Roma condenado como subversivo
Catolicismo — Como a liberdade da Igreja ficará exposta ao perigo quando for assinado um acordo sino-vaticano?

Cardeal Zen — Na carta do Papa Bento [aos católicos chineses], ele explanou muito claramente a doutrina católica sobre a Igreja.

Com certeza o Papa Francisco e outras pessoas no Vaticano concordam com essa posição. Mas, quando se negocia, é preciso saber como a outra parte pensa.

Então, eu gostaria de citar um autor hegeliano, falando sobre o acordo entre a Hungria e o Vaticano.

Ele diz: “Às vezes, formalmente, no papel, a autoridade do Papa pode ser respeitada, mas na prática um poder excessivo de decisão é dado ao governo”.

Portanto, não sabemos muito sobre como é esse acordo, pois não nos informam inteiramente.

Eles dizem: “Não, certas informações são apenas por ouvir falar”, um pedaço aqui, outro pedaço lá.

O que podemos imaginar a respeito dele, é constatar que se trata exatamente desse tipo de acordo [entre a Hungria e o Vaticano].

Na superfície, parece que a autoridade do Papa está resguardada, porque eles dizem: “O Papa diz a última palavra”.

Mas toda a coisa é falsa. Eles estão dando poder de decisão ao governo. Penso que estamos caminhando para algo pior.

Daí decorre — não estou 100% seguro — que eles aceitam a eleição [de novos bispos], a que chamam de eleição democrática, aceitam que a Conferência Episcopal aprove a escolha e leve os nomes ao Papa.

E o Papa diz a última palavra. Entretanto, tanto a eleição quanto a Conferência Episcopal são falsas.

Eu não gosto de falar muito a respeito de eleição. Na China comunista não há eleição, nenhuma eleição verdadeira. Nem sequer a mais solene eleição no Congresso do Povo... Tudo é planejado antes.

Mas agrada-me falar sobre a Conferência Episcopal. Realmente não posso acreditar que na Santa Sé não saibam que não existe uma Conferência Episcopal Chinesa.

Existe apenas um nome. Nela, de fato, nunca há discussões, reuniões.

Os bispos se encontram quando são convocados pelo governo comunista. O governo lhes dá as instruções, eles obedecem.

O então Papa Bento disse que essa Conferência não é legítima, porque nela há bispos ilegítimos, e também porque os bispos clandestinos [perseguidos pelo governo comunista] não fazem parte dessa Conferência.

Liu Bainian, funcionário do governo e vice-presidente da Associação Patriótica é o verdadeiro chefe da Igreja colaboracionista
Liu Bainian, funcionário do governo e vice-presidente da Associação Patriótica
é o verdadeiro chefe da Igreja colaboracionista
Assim, ela não pode ser chamada de Conferência Episcopal Chinesa. A realidade é que não há uma Conferência Episcopal na China.

Mas o que existe realmente? Todos os bispos da igreja oficial [escolhidos pelo regime comunista] têm seus nomes na Conferência Episcopal.

Mas então como ela funciona? Antes de tudo, ela nunca trabalha sozinha.

Há sempre a Associação Patriótica e a Conferência Episcopal trabalhando juntas.

Mas quem a preside? Quem convoca a reunião?

O governo!

Eles nem sequer procuram ocultar a realidade. Nós podemos ver as fotos.

O Sr. Wang Zuoan, chefe da Secretaria de Assuntos Religiosos, está presidindo sorridente a reunião, enquanto o presidente da Conferência Episcopal — um bispo da Associação Patriótica — e os demais bispos estão simplesmente sentados lá, ouvindo.

Portanto, tudo é decidido pelo governo. Lembre-se: sempre que eles dizem Conferência Episcopal é o governo comunista.

O governo controla a eleição através da Conferência Episcopal, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo.

Alguém dirá: “O Papa diz a última palavra”. Que última palavra é essa? “Ora, ele pode aprovar, pode vetar”.

Bem, ele pode vetar. Mas quantas vezes? Eles apresentam todos os nomes, o Papa não pode dizer: “Não, não, não”. É muito difícil para ele, é muita pressão sobre ele.

Então, eu concluo: em certo momento ele pode ser forçado a dizer “sim”. “Oh, ele tem a última palavra!”. Não é suficiente.

Portanto, penso que é um acordo muito errado. Precisamente porque não há Conferência Episcopal. Como pode a iniciativa de escolher bispos ser dada a um governo ateu? Incrível! Incrível! Incrível!

Alguém poderá dizer: “Ora, na História, durante muito tempo, o poder de indicar bispos foi dado aos reis, ao imperador”.

Mas pelo menos eles eram reis cristãos, imperadores cristãos, enquanto estes são ateus, comunistas.

Fiéis vivem acossados pela repressão policial. Cena no santuário de Sheshan
Fiéis vivem acossados pela repressão policial.
Cena no santuário de Sheshan
Eles querem destruir a Igreja. Ou, ao menos, se não podem destruir, querem enfraquecer a Igreja. Então é incrível, não se pode aceitar esse acordo.

Catolicismo — Mas a recusa do diálogo “nos coloca fora da Igreja”? É o que dizem os comunistas.

Cardeal Zen — O diálogo é necessário, é importante. Mas deve haver princípios. Estes não podem ser negados para se obter um bom diálogo.

Por ocasião do Asia News Day, na Coreia, o Papa Francisco celebrou uma missa para todos os bispos asiáticos. Ele falou sobre o diálogo.

E disse duas coisas. Primeira: no diálogo, deve-se ser fiel à própria identidade, deve-se ser coerente com a sua própria identidade; não se pode negar a própria identidade apenas para agradar o outro lado.

Se nós somos católicos, somos católicos!

Segunda: deve-se também abrir o coração para ouvir. Portanto, deve-se dialogar, mas não se pode dizer: nós devemos absolutamente tirar conclusão.

Por quê? Porque não depende de você. Depende também do outro lado. Se este não concorda com algo razoável, você não pode concluir. Não depende de você.

Se a outra parte deseja que você se torne escravo, você não pode dizer “ok”. Não pode. E aqueles que vão negociar devem saber disso.

A autoridade do Papa é dada ao Papa. Ela não é dada a um homem particular, senhor fulano de tal. É dada ao Papa. Não é um atributo pessoal dele.

Ele não pode vendê-la. Ele não pode, por sua própria generosidade, renunciar àquela autoridade.

Às vezes, no final do diálogo, podemos dizer: “Desculpem, nós não podemos concluir. Portanto, adeus! Da próxima vez, quando vocês tiverem alguma coisa nova para dizer, voltaremos”.


continua no próximo post: Cardeal Zen Ze-kiun: “a Santa Sé está adotando uma estratégia errada”

(Fonte: “Catolicismo” n° 802, outubro de 2017)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Propagandísticas invenções de Pequim

As experiências com o trem por levitação magnética de Shangai serão úteis.
Luis Dufaur
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A China apresentou um projeto de “trem voador” capaz de quintuplicar a velocidade dos aviões comerciais hoje em uso, noticiou o “Clarin” de Buenos Aires.

O projeto está nas mãos da estatal Aerospace Science & Industry Corporation (CASIC) que fabrica desde caminhões até foguetes. A promessa é que o futuro T-Flight atinja 4.000 quilômetros por hora, disse o engenheiro chefe Mao Kai ao canal de noticias também estatal China News Service.

“A aceleração do veículo seria mais lenta que a do avião na hora de decolar para que os passageiros não se preocupem com a segurança”, disse Kai.

A segurança!: esse é o grande temor dos chineses com as invenções que vem do governo.

O novo projeto provém do MagLev, primeira linha comercial de alta velocidade de Shangai que usa a levitação magnética. Seu percurso máximo é de 30 quilômetros, em virtude de seu altíssimo custo de implementação, e o projeto em verdade é alemão.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Líderes materialistas da China
bafejam culto de Mao tsé-tung

Luis Dufaur
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O presidente chinês voltou a exortar o ensino do marxismo para segurar a degringolada da adesão da juventude aos ideais fundadores da China comunista.

Mas, a promoção do marxismo na versão de Mao Tsé Tung não é a única arma ideológica para segurar um regime abalado precisamente no campo das ideias pelo progresso da religião, notadamente a cristã.

A ditadura socialista também explora a superstição.

Exemplo disso é a antiga e devastada cidade de Yanan, província de Shaanxi, é um local de peregrinação estimulada pelo regime anti-religioso socialista.

Por incrível que pareça, trata-se de um local de romaria ateia! Pois Yanan foi a cidade onde Mao Tsé-tung instalou pela primeira vez seu governo comunista.

Yanan gemeu sob a tirania do líder marxista a partir de 1935 e até 1948.

Ali Mão aplicou a reforma agrária, criou escolas marxistas com doutrinamento socialista forçado da população e ditadura eufemisticamente qualificada de “estilo de vida austero” sob “disciplina militar”.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O “hotel maldito” de Pyongyang, símbolo do socialismo universal

Business Insider: o hotel Ryugyong é is o maior prédio abandonado do mundo
Business Insider: o hotel Ryugyong
é o maior prédio abandonado do mundo
Luis Dufaur
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O Hotel Ryugyong domina o horizonte de Pyongyang, apesar de os apartamentos de seus 105 andares nunca terem recebido cliente algum, narrou o jornal de Buenos Aires “La Nación”.

Sua forma esotérica de pirâmide de 330 metros de altura tem o recorde de prédio abandonado mais alto do mundo e assusta a capital da Coreia do Norte.

Em 1987, o Hotel Ryugyong prometia ser o sétimo arranha-céu mais alto do mundo e o primeiro hotel de grande altura.

Ele devia atrair investidores ocidentais e oferecer cassinos, clubes noturnos e salões japoneses para festas.

Devia ter sido levantado em dois anos, mas problemas na construção e nos materiais paralisaram totalmente a obra em 1992, em meio à pior fome provocada pelo socialismo no país.

Segundo a imprensa japonesa, o ditador megalomaníaco Kim Il-sung, pai do atual Kim Jong-un, consumiu na obra inconclusa US$ 750 milhões, o equivalente a 2% do PIB do país.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

“Livre” no cárcere de terror da Coreia do Norte

O visto de entrada à Coreia do Norte concedido a Suki Kim.
O visto de entrada à Coreia do Norte concedido a Suki Kim.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Suki Kim é uma jornalista nascida e crescida na Coreia do Sul, mas que também possui cidadania americana.

Em 2011 ela conseguiu um trabalho de professora de inglês em uma universidade de Pyongyang, destinada aos filhos homens da elite norte-coreana, “os futuros líderes do país”.

Kim passou seis meses vivendo no campus da universidade e tomou notas para seu livro Without You, There Is No Us: My Time with the Sons of North Korea's Elite (Broadway Books, 320 pp., publicado em 2015, que em tradução livre seria: Sem você, não há nós: meu tempo com os filhos da elite norte-coreana.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Coreia do Norte: o crime de Estado financia o cataclismo universal

William Chan do Serviço Secreto de EUA e Ross Bautista, diretor do National Bureau of Investigation, mostram notas falsificadas
William Chan do Serviço Secreto de EUA
e Ross Bautista, diretor do National Bureau of Investigation,
mostram notas falsificadas
Luis Dufaur
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Como faz a Coreia do Norte, reduzida à máxima miséria pelo socialismo, para financiar um custosíssimo programa nuclear que poderia empurrar o mundo para um cataclismo jamais visto?

A fórmula é simples, mas tenebrosa: Pyongyang recorre a múltiplas formas de crime organizado para encher seus cofres, segundo noticiou “La Nación” de Buenos Aires.

O regime imprime dólares e yuanes falsos, pratica “assaltos bancários cibernéticos”, dirige um intenso comercio internacional ilegal, fabrica mercadorias falsificadas e exporta mão-de-obra para seu máximo protetor: a China, também socialista.

“O regime norte-coreano consagra dez bilhões de dólares anuais ao seu programa nuclear. Essa cifra representa entre 20% e 25% do PBI, que oscila entre 30 e 40 bilhões”, afirma a geoestrategista francesa Valérie Niquet, especialista da Fundação para a Investigação Estratégica (FRS).

“A maior parte provém de atividades ilícitas”, explicou.

Num assalto cibernético em 2016, o Banco Central de Bangladesh foi lesado por Pyongyang em 81 milhões de dólares, duas terças partes dos quais (51 milhões) foram “lavados” pelos cidadãos chineses Ding Shizue e Gao Shuhua em dois casinos de Manila.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Havaí entra em clima de III Guerra Mundial

Luis Dufaur
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Setores do mundo vão entrando num clima de III Guerra Mundial embora ainda não se ouçam as rajadas das armas.

Pois a III Guerra Mundial tem muito mais de psicológico que de militar. Pelo menos em seus inícios.

Na fase inicial predominam as táticas de “guerra híbrida” com muitas manobras de guerra psicológica, na qual a Rússia se destacou ao invadir a Crimeia e ocupar uma fração do leste da Ucrânia.

É uma situação assim que o turístico Estado de Havaí está vivendo. Suas autoridades dispuseram um sistema de alerta para a população em caso de ataque nuclear norte-coreano.

O temor cresceu após o regime comunista disparar um míssil por cima do Japão e testar uma bomba de hidrogênio, aproximadamente dez vezes mais destrutiva que uma atômica como a de Hiroshima.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Recrudesce a perseguição religiosa

Polícia humilha católicos que vão para a igreja
Polícia humilha católicos que vão para a igreja
Luis Dufaur
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O vaticanista Sandro Magister observou que enquanto no ano de 2016 se dava por iminente a aprovação de um acordo iníquo entre a Santa Sé e o regime comunista de Pequim, hoje se fala muito pouco dele.

Pelo contrário, em vez de notícias de aproximação, chegam de Pequim informações de bispos encarcerados e desaparecidos.

Na Quaresma, o Bispo de Mindong, Dom Vicente Guo Xijin, reconhecido por Roma, mas não pela ditadura, foi preso e conduzido a uma localidade desconhecida.

Ele foi acusado do ‘crime’ de não se inscrever na Associação Patriótica (igreja paralela e fictícia criada pelo regime comunista para atrair e desviar os católicos).

Na hora de prendê-lo, a polícia disse que o levava “para que estude e aprenda”.

Na vigília da Páscoa foi preso em circunstâncias semelhantes o Bispo de Wenzhou, Dom Pedro Shao Zhumin.

Ele havia passado vinte anos de “doutrinamento” carcerário. Foi preso no dia 18 de maio e não se sabe onde está.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Diálogo Pequim-Vaticano prepara uma “Igreja Católica falsa”, denuncia cardeal

O diálogo Vaticano-Pequim prepara uma 'falsa igreja católica' na China
O diálogo Vaticano-Pequim prepara uma 'falsa igreja católica' na China
Luis Dufaur
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Uma “Igreja Católica fake (falsa)” vinha sendo preparada pelo regime comunista chinês, que tentava obter para isso uma chancela do Vaticano.

Por sua vez, o Cardeal Joseph Zen, Arcebispo emérito de Hong Kong, denunciou o andamento do acordo entre a Santa Sé.

Segundo ele, o governo ateu forneceria o embasamento de uma igreja falsamente católica.

O Cardeal exprimiu sua posição em entrevista para a revista Polonia Christiana.

Ele comparou a situação atual da Igreja Católica na China continental com a época da brutal repressão física comunista nas décadas de 1950 e 1960. E sublinhou que hoje a situação é ainda pior, informou “Life Site News”.

Por que é pior? – perguntou a revista polonesa.

“Porque a Igreja foi debilitada. Eu lamento ter de dizer que o governo não mudou, mas a Santa Sé está adotando a estratégia errada.

“Ela está ansiosa demais para dialogar, mas um diálogo em que eles mandam todos a não fazer barulho, a se acomodarem, a se comprometerem a obedecer ao governo.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Último sucesso da tecnologia chinesa não passou de fraude

Prometia levar até 1.400 passageiros por cima do trânsito, mas foi criminosa enganação. Prototipo em Qinhuangdao.
Prometia levar até 1.400 passageiros por cima do trânsito,
mas foi criminosa enganação. Prototipo em Qinhuangdao.
Luis Dufaur
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Apresentado como triunfo da tecnologia chinesa, o ônibus capaz de levar até 1.400 passageiros por cima do trânsito veicular não passa de uma formidável fraude.

Ela já vinha sendo suspeitada há tempos, mas era acobertada pelo Partido. Veja mais em: Ônibus ecologicamente correto: fraude símbolo do comunismo chinês

A polícia de Pequim prendeu 32 pessoas por coleta ilegal de fundos para o projeto de Ônibus de Trânsito Elevado (TEB, nas siglas em inglês), que prometia driblar os engarrafamentos nas ruas das grandes cidades, noticiou o jornal “The New York Times”.

A ideia futurista de um veículo que passa por cima dos congestionamentos atraiu inversores desprevenidos à Exposição Internacional de Alta Tecnologia de Pequim em 2016.

Muitos desses inversores acreditaram no conto e agora a polícia chinesa quer ver se consegue recuperar algo dos ativos desaparecidos.

À testa dos presos está Bai Zhiming, que aparece promovendo o TEB nos vídeos embaixo, diretor da empresa TEB Technologies e fundador da financeira Huaying Kailai Asset Management, informou Fortune, acrescentando que os outros detidos eram seus funcionários.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A alma chinesa aspira à hierarquia social, à tradição e ao requinte

Refeição chinesa tradicional.
Refeição chinesa tradicional.
Luis Dufaur
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Mao Tsé-Tung, fundador do comunismo chinês, disse outrora que uma revolução não é um banquete: todas as formas de feiura e de crime estavam legitimadas na revolução niveladora do comunismo.

Ele agiu em consequência, arrasando o passado cultural chinês, sua hierarquia social, os requintes de sua arte e as “superstições” das religiões, com ódio especial ao catolicismo, apesar de Mao ter sido formado em escola de jesuítas.

Mas sendo “a alma humana naturalmente cristã”, como disse Tertuliano, todo ser humano aspira no fundo à beleza, à perfeição e, em suma, ao catolicismo.

As conveniências de expansão da revolução comunista chinesa exigiram um abrandamento da ditadura miserabilista.

Então a China virou potência industrial e comercial. Com uma consequência indesejada pelo marxismo: setores dela passaram a usufruir de algumas vantagens da civilização ocidental, outrora cristã.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Igreja supera maior monumento
ao fundador do comunismo chinês

A cruz da igreja de Changsha vai ser a mais alta da China.
A cruz da igreja de Changsha vai ser a mais alta da China.
Luis Dufaur
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Crise axiológica ou de identidade em Changsha, berço histórico de Mao Tsé-Tung, fundador do comunismo chinês: está sendo erguida uma igreja de 80 metros de altura, coroada por uma cruz!

É a igreja Xingsha, que supera em dimensões a maior estátua de Mao Tsé-Tung existente em toda a China, erguida a menos de 16 quilômetros no oeste daquela cidade, noticiou “The New York Times”.

Na ilha Tangerina, no rio Xiang, desponta uma monstruosa cabeça em granito, com ombros e sem corpo, para evocar o líder revolucionário.

Ela tem 32 metros de altura, apenas a metade da igreja. Essa disparidade logo na cidade onde Mao passou a juventude e pregou pela primeira vez suas radicais ideias marxistas, enfureceu seus já diminuídos admiradores em toda a China.

A igreja soa como um desafio ideológico ao “herói” fundador da República Popular comunista em 1949. Mao havia culpado o cristianismo de servir de ferramenta do capitalismo imperialista estrangeiro.

Milhares de fãs “vermelhos” destravaram suas línguas em batalhas verbais contra o tamanho e o simbolismo da igreja coroada pela Cruz de Cristo.

“Acolher o cristianismo em grande escala danifica a segurança ideológica de nossa nação”, escreveu Zhao Danyang, do site Grupo Pensante Moralidade Vermelha.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Universidade evangêlica
para filhos de déspotas na Coreia do Norte

Imagem de vídeo: no topo do prédio louvor ao “general Kim Jong-un”.
Luis Dufaur
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Num campus de 100 hectares na capital da Coreia do Norte, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang participa ativamente no culto à personalidade do ditador Kim-Jong-un.

Sobre o prédio principal, grandes caracteres vermelhos bajulam o “general Kim Jong-un”, o cruel e halucinado ditador do país. Do instituto depende a formação da futura elite marxista num país que proíbe a religião mas é dirigido por cristãos evangélicos americanos, descreve reportagem do “The New York Times”.

A Universidade foi fundada há sete anos por Kim Chin-kyung, um estadounidense nascido na Coreia do Sul. Ela fornece aos filhos da nomenklatura uma educação que nunca receberiam nas raquíticas escolas estatais. As aulas são dadas em inglês por um corpo docente internacional.

Os professores apenas não podem pregar. Mas podem servir de “carne de canhão” para as extorsões do regime. Desde abril, dois voluntários norte-americanos do instituto foram feitos reféns acusados de “atos hostis”, rótulo comum para espionagem ou proselitismo, para depois serem negociados com Washington.

A disciplina é militar e os estudantes vão de um local a outro cantando sua lealdade ao ditador comunista. Os materiais didáticos são censurados pelas autoridades ideológicas que têm agentes ativos no campus.

Os catedráticos devem ter “guias” que os acompanhem quando saem do campus. Os estudantes devem denunciar qualquer comentário “subversivo” feito pelos mestres.

terça-feira, 13 de junho de 2017

“Comunistas têm medo da Virgem de Fátima”,
diz Cardeal chinês

Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrina em Hong-Kong. Na cidade ainda há fímbrias de liberdade. No imenso território governado pelo comunismo teria sido proibida.
Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrina em Hong-Kong.
Na cidade ainda há fímbrias de liberdade.
No imenso território governado pelo comunismo teria sido proibida.
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O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong-Kong, fez declarações no passado 13 de maio, durante visita à Alemanha.

Ele falou sobre a Igreja católica chinesa e sobre o medo que os comunistas têm de Nossa Senhora de Fátima, noticiou InfoCatólica.

A respeito da China, o Cardeal focou a corrupção desenfreada instalada no âmago do comunismo chinês.

A degradação moral do Partido, especialmente nas mais altas cúpulas, associada à obediência absoluta aos ditadores, é desoladora.

O atual presidente Xi Jinping chegou a falar contra a corrupção na máquina estatal, mas logo que se apossou dela tudo ficou como antes ou pior.

Mas as pessoas que falam de Direitos Humanos continuam sofrendo repressão, perseguição, humilhações, e acabam condenadas em processos ecoados pela mídia estatal para desanimar as demais.

A direção comunista está em diálogo com a Santa Sé, mas não aceitará nada que não seja a submissão da Igreja ao Partido Comunista, disse.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Novo porta-aviões chinês
patenteia bisonhice da Marinha vermelha

Primeiro porta-aviões chinês, muita propaganda e muitas carências operacionais
Primeiro porta-aviões chinês, muita propaganda e muitas carências operacionais
Luis Dufaur
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Enquanto os EUA enviavam dois de seus superpoderosos porta-aviões nucleares em direção à Coreia do Norte, Pequim lançava seu primeiro porta-aviões desenhado e fabricado no país, noticiou o jornal portenho “La Nación”.

O “Liaoning” – como se chama – resultou da recuperação de um porta-aviões russo inconcluso e sucateado, mas até agora não foi testado em operações exigentes. Ele fez sua primeira saída ao Pacífico em 2016.

O casco do novo navio, construído nos estaleiros de Dalian e inaugurado com champanha importada, não tem data prevista para entrar em funcionamento, anunciou a agência oficial Xinhua. Mas Pequim explorou o evento para desafiar os EUA.

Quando entrar em operações, o novo porta-aviões de propulsão convencional poderá levar aviões Shenyang J-15.

As ambições são grandes e a planificação comunista exige cada vez mais forças navais.

Mas essas estão muito longe de rivalizar com as americanas, que possuem uma dezena de porta-aviões nucleares operacionais, cada um levando uma frota aérea superior à da maioria dos países do mundo.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Pequim saúda avião comercial que conseguiu completar voo

Na apresentação o C919 não saiu do hangar. O primeiro voo só foi testemunhado por funcionários e mídia oficial.
Na apresentação o C919 não saiu do hangar.
O primeiro voo só foi testemunhado por funcionários e mídia oficial.
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O avião de meio alcance Comac C919 para passageiros, fabricado pela China, voou pela primeira vez sem incidentes, noticiou o jornal “El Mundo”, de Madri. Com ele, Pequim aspira desafiar a hegemonia dos gigantes Boeing e Airbus, e da brasileira Embraer.

A encenação foi bem preparada. O aparelho decolou entre gritos e aplausos de milhares de pessoas convocadas ao aeroporto de Xangai. O evento saiu ao vivo na TV oficial.

O locutor Yang Chengxi perdeu a voz berrando emocionado: “Hoje é o dia! Fomos testemunha de uma decolagem bem-sucedida!”.

Tudo indica que tinha razão. Há tempos que o engenho voador não saía dos hangares da Corporação Chinesa de Aviação Comercial (Comac, em inglês). Essa estatal foi fundada em 2008 para produzir um avião comercialmente viável que pudesse rivalizar de início com o Boeing 737 e o Airbus A320.